segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dialogo .


– Com licença, senhor Coração?
– Eu mesmo, jovem. O que desejas?
Era inacreditável. Depois de tanto tempo, eu estava cara a cara com ele, o órgão mais importante de um ser vivo. Foram inúmeras tentativas, todas elas fracassadas. Mas finalmente, eu estava ali.
Modéstia à parte, fiz um bom trabalho driblando os seguranças.
– Nossa, é muito estranho estar aqui, tão perto do senhor.
Ele me olhou de cima a baixo, contendo certa incerteza em seu olhar.
– Por acaso o jovem não é nenhum terrorista, certo? Já tentaram me atacar uma vez, quase parei de exercer minha função.
Nunca imaginei ver o poderoso chefão com medo de… mim. Não sou inofensivo, confesso. Mas a minha aparência é tão boa e tão leve, não assusta ninguém. Vê–lo ali, prestes a me expulsar de seu canto, me fez sentir superior. Com todo o respeito.
– Medo? Senhor, não precisa ter medo. Não sou terrorista. Só gostaria de lhe pedir um favor.
– Então que seja rápido. Estou muito ocupado no momento, trabalhar sozinho não é nada fácil.
Era exatamente aquilo o que eu precisava ouvir para meu dia melhorar.
– Exatamente isso que eu gostaria de lhe perguntar. Eu sei que isso parece medonho, vindo de um estranho como eu. Eu posso trabalhar com o senhor?
Me lembro até hoje do temor que o senhor Coração sentiu. Até então calmo, ele começou a movimentar–se centenas de vezes mais, o que me fez sentir bem. Eu estava provocando sensações não só nele, como no ser humano o qual penetrei seu corpo.
Os tais movimentos eram as famosas “batidas”. O emprego do senhor Coração, que garante a vida do tal ser humano. Eu estava prestes a ferrar ou melhorar a sua vida.
Uau, eu ter esse poder dentro de alguém? Ferrar ou melhorar a vida? Eu sou muito importante mesmo.
– Eu sei exatamente o que você quer. Saia daqui.
As palavras, ditas tão friamente pelo Coração, me fizeram desistir por uma fração de segundo.
Apenas uma fração.
– Então o que eu quero?
– Mudar a vida da pessoa para qual eu trabalho. Isso não é nobre, não é correto.
É, ele sabia bem.

– Achei que o senhor concordasse comigo. Não vê que este ser humano está precisando de emoção? Não acha que, por bem ou por mal, isso não vai mudar sua forma de ver e de viver a vida? Por favor, senhor Coração. Eu sou o mais puro sentimento que nutre dentro de alguém. Somente o senhor pode colaborar comigo.
O vi suspirar e voltar ao normal. Quando pensei que ele fosse hesitar novamente, ele me fez uma ordem:
– Aproxime–se.
E lá fui eu, quebrando todas as barreiras que tinha enfrentado para estar ali. Eu o tinha convencido. A hora era aquela.
Novamente, as batidas aceleraram–se. Eu sabia exatamente o poder que estava tendo sobre ele e sobre o ser humano, prestes a cair em uma armadilha tão deliciosa como eu.
– Qual é seu nome, meu jovem?
– Amor.
Quando terminei de pronunciar a última sílaba, as batidas já eram frenéticas. Aquilo era, definitivamente, um “sim”.

Tanto que estou até hoje aqui, trabalhando junto com o senhor Coração. Nos damos muito bem, aliás.
Sobre o ser humano o qual invadi? Sim, sua vida mudou. Horas para pior, horas para melhor. Não me julgue, estou apenas exercendo a função que me foi dada: mudar a vida de alguém.

Jenniffer V. Alcantara

1 comentários:

thiago disse...

*-* uaooo jhe isso me impressionou muito pela complexidade de suas palavras faz muito tempo que eu não paro para ler seus textos mais esse está quase perfeito só precisa de um diagramador e mudar poucas coisinhas que vai ficar maravilhoso mais vc está de parabéns...

thi

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